A Baboon esteve em Timbuktu documentando as ações terroristas da AQIM (braço da Al Qaeda no Magreb) que resultou na morte e o sequestro de turistas estrangeiros. Contamos com uma escolta formada por dezoito soldados do exercito do Mali especializados em conflitos no deserto. Divididos em três carros seguimos por dois dias até alcançar a lendária cidade. Tudo estava completamente vazio. Nosso hotel se tornou uma verdadeira base militar fortemente protegida. Havia tensão no ar, a situação era grave. A cidade fora totalmente evacuada pelas autoridades e a hospitaleira população estava chocada com os acontecimentos. A vergonha e a queda dos negócios era o que mais preocupava. Todas as reservas em hotéis e festivais da região estão sendo cancelados. Timbuktu volta ao isolamento do mundo ocidental e mais uma vez permeará o nosso imaginário. Baboon segue viagem …
Em busca da Amazônia Perdida
Veja o relato de Fel Meireles, da equipe da Baboon que está agora na Amazônia:
“Após 5 dias de viagem chegamos a San Francisco de Atabapo, Venezuela. O Rio Atabapo faz a fronteira com Colombia. Ainda nos faltam 700km e pelo menos 11 dias de viagem. As roubadas de uma expedição como esta começam a aparecer. Hj pela manhã o piloto de nosso barco desistiu da viagem. E não é fácil arrumar outro. Somos em 7 numa Canoa chamada Bongo. Feita de uma única árvore, tem 18 metros de comprimento e 1,5 de largura. Meus colegas e eu estamos bem, estivemos juntos na África esse ano e rola uma hamornia. Seguimos por aqui. Em busca da Amazônia Perdida.”
Reportagem: Trabalhadores de Cerro Rico
Cerro Rico, O inferno de Potosí
Potosí. Uma cidade que ja foi mais rica e populosa que Paris e Londres, mas hoje, é a cidade mais pobre da Bolivia, o país mais pobre da América do Sul.
Fomos gravar as famosas minas de prata de Cerro Rico que um dia já supriram metade da prata ao redor do mundo. Hoje, restam apenas migalhas. Mas as condições de trabalho escravo que prevaleciam no século XVI, infelizmente ainda acontecem nos dias de hoje. Porem hoje o que os força ao trabalho é a fome e falta de opção.
Hoje existem 15 mil homens e outras milhares de mulheres e crianças trabalhando em mais de 500 minas com as mesmas condições subhumanas, mais do que precárias, da época da escravidão. Em pouco menos de 500 anos, já morreram mais de 6 milhões de mineiros por causa de Cerro Rico. E mesmo se não morrerem dentro das minas, a expectativa de vida de um desses mineiros, não passa de 45 anos devido ao seríssimo problema da silicose. Só em um hospital de Potosi, são registradas em média 12 mortes mensais por causa da silicose. E para completar, hoje, devido ao descuido das perfurações e explosões (sem o mínimo cuidado ou estudo geológico), existe o risco, da conhecida montanha que engole homens, desabar a qualquer momento.
Passamos por volta de 10 dias na cidade, onde conhecemos muitas pessoas e ouvimos muitas historias.
Conversamos com muitas famílias; velhas viúvas que trabalham quebrando pedras, pais mineiros que não tem outra escolha senão escolher a inevitável morte para sustentar seus filhos, mães que se sujeitam a violência doméstica e a perigosa vida de guarda das minas para que seus filhos não tenham que trabalhar com os mineiros, crianças violentadas, e filhos, que infelizmente, não tem outra escolha senão seguir os terríveis passos dos pais dentro das minas.
Entramos nas minas e vimos a intensa vida dos trabalhadores que podem passar ate dias sem ver a luz do sol ou comer qualquer tipo de comida. Rastejar por entre pedras ouvindo estouros e mais estouros dos mais de 15 mil homens em um formigueiro a 200 metros pra cima e 200 metros para baixo de você. Com o ar rarefeito (já a 4500m a cima do nível do mar) e muita poeira, sempre atentos para os carrinhos que vem em velocidade desenfreada carregados de minerais de prata de baixíssima qualidade precariamente empurrado por jovens cobertos de poeira.
Sem dúvida, foi uma viagem intensa. E de uma coisa tenho certeza, se existesse um inferno, ele estaria de baixo da terra de Potosi.
Fotos por Jessica Nolte
Baboon no Chifre da África
Reel
Baboon from Baboon Filmes on Vimeo.


















